Asma
Não existe um só segundo destes dias em que este peito em transe não clame por teu nome.
Teus doces olhos evanesceram-se do teu brilho eterno. Tua voz calma e suave se deixou, por fim, calar. Teus leves e curtos passos já não existirão, e teu chegar estonteante, junto do teu esplendor, se apagou.
Meu peito entende, ao fim, o significado da dor. Nunca fui de sentir luto, saudade ou mesmo pesar. Para esta alma jovem e cheia de suas inconstâncias a dor era fruto do erro em como encarar e superar os problemas do mundo, e estava certa. Hoje sucumbi. Não pude resistir ao golpe que a vida me deu, e caí no mar de sentimentos infelizes e caóticos.
Não existe uma vida minha sem a sua pra me ajudar. Me deixo consumir aos poucos por cada sentimento redundante de sofrimento. O luto dói todos os dias, como a tristeza e o pesar. Eu me deixei exposto à insanidade de arrepiantes agruras. Quanto tempo eu gastei enfrentando a guerra de mim mesmo, pra agora ser derrotado. É como se meu corpo contraísse asma, e o ar me faltasse a cada instante que eu vivo sem tua energia. E eu sei que não vou encontrar uma cura em nenhum tempo de vida terrestre. Que falta que me faz o brilho dos teus olhos.
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