Céu Dourado
O silêncio gritante instalado aqui avermelha-se à medida que os pedaços de carne brutalmente separam-se dando vazão ao mar de sangue encrustado dentro de mim.
Cada linha desenhada tonifica o vazio que o escorrer de sangue instala em meu corpo. Mas paro.
O céu dourado se mostra encantador, e a chuva serena lava aos poucos os rastros da minha quase desistência. Não busco por melhoria, não vejo arrependimento. Sei que as nuvens negras que me cobrem irão sempre me acompanhar.
Em meio a minha fraqueza eu me sensibilizo em perceber que estas nuvens negras, que tão serenamente derramam suas lamentações sobre meus olhos, estão ironicamente alojadas neste céu de cor dourada e alegre.
Minhas tristezas, meu vazio, meu temor encontram-se alojados em uma alma com um único e dourado desejo. A escuridão que vive dentro de meu peito derrama sobre meus dias um eterno dilúvio de lamurias suficientes para, as vezes, fazer-me sequer enxergar a luz dourada deste desejo tão genuíno e nobre.
Não sei por quanto tempo essa tempestade vai durar, ou mesmo se algum dia ela vai passar. Mas sei que pra sempre você será a luz dourada que compõe meu céu.
O nobre e doce desejo que me faz viver é poder, todo dia, contemplar a imensidão deste céu amarelo. A chuva que lava minhas feridas é fruto das nuvens negras e tempestuosas encrustadas em teu infinito brilho.
Não importa o quão dolorosas sejam tais feridas, ou o quão vermelho se torne a poça do sangue que escorre de meus braços. Não sou capaz de desistir de viver para ver estas nuvens irem para outro lugar, para que por uma única e exclusiva vez eu possa contemplar por completo a beleza dourada de ti, do céu de minha vida.
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