Confiança
Sou um maluco nato. Vejo vultos surreais mesmo de olhos fechados, e ainda tento contato com eles. Chamo-os de demônios, mesmo com uma concepção interna totalmente diferente sobre estes seres.
Durante a luz do dia, minha psicose não toma estes preceitos sobrenaturais, mas ainda vigora dentro de mim. Sinto uma vontade absoluta de mudar, de fugir, sem nem mesmo saber de que. Uma pressão constante sobre meus pensamentos me faz querer paz.
Já tentei buscar ajuda, já tentei ser menos como eu sou. O resultado é que o tempo passou, coisas aconteceram, e eu ainda quero sair daqui. Ou talvez, apenas tenha entendido o que me fazia querer mudar.
O amor que eu sinto é improvável, e isso não machuca tanto. Mas mantê-lo guardado sim, é um tormento. Eu sempre quis fugir, por não poder ajudar, por ser bombardeado com situações incômodas e não poder mover nada para ajudar. O peso da falta de atitude parece idiota nessas circunstâncias, visto que não tinha nada que eu pudesse fazer. Mas ainda é este peso que martiriza minha alma toda manhã.
Eu percebi que não posso confiar nem em mim. Por tanto tempo achei que deveria fugir de tudo, quando tudo o que eu sempre gostei e quis estava sempre sendo realizado secretamente e alimentando a minha vida tão pobre e vazia. Essa dor, este mártir de amar e manter em segredo é viciante, e eu não quero e não vou mais fugir disso. Mas a dor de não poder confiar em ninguém vai tentar cicatrizar a ferida que confiar em mim entalhou em minha alma. A solidão me aguarda, em silêncio junto com a dor, angústia, sofrimento e o amor.
Comentários
Postar um comentário