Corujas
Penas douradas escondem-se nas entranhas da noite. O sol deu lugar à escuridão. Nem mesmo uma solitária estrela enfeita os céus desta noite.
Pupilas dilatadas, íris amarela. Nada escapa destes olhos tão vivos e sorrateiros de beleza superior a qualquer estrela. Profundos como os oceanos ainda inexplorados, nem mesmo o mais veloz dos animais engana estes olhos. Uma coruja. Apenas uma coruja, e o mundo enchera-se de pesares.
Comparável a sagacidade das coruujas é a penetrante beleza do teu olhar. Os sons que nem em sonhos escapariam dos aguçados ouvidos das corujas são os mesmos que fazem da tua voz a mais suave e delicada.
O pio único e inconfundível das corujas faz-me sentir uma sensação adorável. Mas nenhum pio tem sobre mim o mesmo efeito que tem o teu diferenciado sotaque.
Um movimento brusco e se é perdido o encanto das corujas. Com suas asas, cortam os céus escuros ao menor sinal de perigo. Assim como a tua pessoa, que com a sua mera angelical presença rasga a plenitude de minha solidão dia após dia.
Penas de cor dourada esmaecem-se perante a ausência do Sol, da mesma forma que teus fios dourados dão lugar à coloração castanha, que tão encantadora torna-se sob a luz do luar.
Apenas uma coruja, e todo o pesar torna-se ínfimo. Apenas uma coruja, e todo o encanto da vida pode ser admirado. Apenas uma coruja, é o que anseio para minha vida.
Assim é você em minha vida: Uma coruja.
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