Desolação
A vida pálida sem final desse garoto impaciente era um martírio absoluto. Não se contentava com o que se é comum, imaginava coisas, vivia suas próprias fantasias, transpunha pra sua realidade o que criava em seus pensamentos.
O peso da vida, no entanto, se mostrava como sua limitação. Vivia tanto suas fantasias que deslizava superficialmente pela realidade, e as consequências eram imediatas. Não conseguia e não sabia lidar com a responsabilidade. Sua introspecção embolava-se com seus delírios internos e a insanidade atormentava.
Suas desesperadas rotas de fuga desse caos eram também a razão de sua destoante vida. Tinha como desafio diário viver sobre a linha tênue entre a salvação de suas fantasias e o desespero de sua desolação.
Cada segundo imerso no seu mundo era proporcional a quanto sua angústia crescia. Ele sabia que não podia contar com ninguém. Todos de sua confiança eram comuns demais, não entendiam sua fuga imaginária, não pensavam que ele, tão jovem, teria razões para fugir. Sua escolha de confiar nestas pessoas eram apenas mais um peso sobre sua alma, e um mártir adicional sobre sua própria sentença.
Sua solidão desgastante, sua empatia inesgotável e sua introspecção em tanto pouco tempo de existência foram castigando a sua alma aos poucos. Ele sabia que não podia ficar assim, mas não sabia como mudar. Sua fuga eram suas fantasias. A imaginação quebrava as correntes da vida torturante que ele levava. Mas mesmo a fantasia, se em profunda solidão, poderia e estava a levar para uma desistência.
Confira o sucessor espiritual deste texto: Paraíso.
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