Despedida



E mesmo o lindo efeito que a fraca luz amarela do poste ali ao lado causava, eu não pude deixar de corromper um pouco mais minha alma. Havia, a dois minutos atrás, deixado um pedaço de mim, o meu ponto de paz. A tênue luz do luar agora apenas engrandecia minha solidão.
Aquela voz suave, aquele rosto delicado e levemente pontudo, aqueles olhos saltados e pretos, aqueles cabelos castanhos, que à luz do sol adquiria cor dourada exuberante. Peças de um quebra cabeça, que agora quebrava a minha cabeça.
E mesmo sendo linda como os jardins daqueles castelos enormes, que são sempre projetados e feitos com todo o cuidado estético, havia eu acabado de deixar ela sob os cuidados de alguém desprezível. Por deslizes do destino, um pedaço da minha alma havia ficado para trás. E ambos não temos culpa.

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