Dois Minutos de Descaso
É junto da luz dos raios cortando o céu desta noite chuvosa que sinto em meu peito latejar a cicatriz. Tentando ser um exemplo de pessoa, esqueço-me que até Jesus, em sua infância, amaldiçoou colegas por nada além de egocentrismo. A ventania chacoalha as folhas das árvores lá fora, de mesmo modo que a enxurrada de emoções abala minha consciência. Com tamanhas experiências recentemente, o choque de realidade é inevitável e acabo por dar conta da vida fútil que tenho vivido.
Como se fosse em câmera lenta, cada gota desta chuva ecoa retumbante em meus ouvidos, provocando uma aura de insanidade enquanto me culpo por cada lágrima engolida, cada grito silenciado, cada vontade evanescida, cada sonho enterrado. Percebo agora o quão em vão tem sido minha vida. Mesmo com todo o esforço feito para dar orgulho a quem não devo nada, o resultado é incompreensível: Discursos de ódio, pressão negativa e descaso.
Eu tenho vivido para os outros, e esquecendo que nossa vida somos nós que vivemos. De que adianta viver em vão?
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