Dúvidas
E quando as gotas desta chuva lavarem tua alma? E quando tua fortaleza construída de areia for levada com o vento? E quando já puder parar se fingir? E quando se esquecer de tuas próprias virtudes? E quando se afogar em teu próprio desalento? E quando for imerso na maré viva de tuas próprias mentiras? E quando cair de joelhos perante seus pecados? E quando seu orgulho já não couber dentro do teu corpo? O que irá sobrar de ti?
Egocentrismo, arrogância, prepotência, orgulho, superioridade, desdenha, soberba, ignorância, falácias. Inúmeras são as fissuras de tua concepção. Ao mostrar ao mundo o que o mundo quer ver, mantêm-se em cativeiro o que o mundo precisa ver. Ao impor pro mundo o que o mundo impôs a ti, impõe-se à tua essência um atestado de impotência. Ao lutar para ser o que exigem que você seja, tu acaba por ser tudo, menos o que nasceu pra ser.
E se o mundo desabar? E se a esperança evanescer? E se o sol não mais brilhar? Por quem você vai gritar? Em quem você vai pensar? Por que você vai lutar? O que você vai salvar? E se a escuridão chegar? E se tudo pelo que tu lutou se mostrar errado? E se o teu coração já estiver afogado? E quando a luz do sol se apagar? E se já tiver perdido o que não se pode encontrar? Teria você vivido como queria? Teria você seguido o que deveria? Teria você resolvido o que te atormentava? Teria você amado alguém que te amava? Teria você sido o alguém que desejava? Teria você sobrevivido ao caos que ao teu redor se instalava? Ou teria você sucumbido ao vazio que te rodeava? Teria você rejeitado o que aí dentro de ti clamava? Teria você ignorado o que do fundo da alma chamava? Teria você morrido enquanto viver tentava?
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