Escravidão



A cada cinco segundos, o som onipotente dos raios ecoam nesta imensidão fria e escura. A cada feixe de luz proveniente dos raios e precursoras do som inabalável dos trovões parecem obliterar minha esperança e emergir novamente minhas cicatrizes internas. O suave e assombroso vento junto dos pingos serenos da chuva parecem palpitar em sincronia com meu coração. A dor de cabeça que me assolava agora é intensa. Por toda a minha vida, busquei ser útil para os outros, esquecendo que ao deixar de agradar a mim mesmo, torno-me nada além de um fantoche para a sociedade.
Viver em prol da aceitação da sociedade sequer pode ser dito como de fato viver. O futuro é o agora, o presente já se foi e o passado se torna memória. Mesmo diante de nossas incertezas, continuamos na busca incessante pela aceitação do mundo, esquecendo-nos que ao deixarmos de aceitar a nós mesmos, deixamos também de viver.

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