Espécie
Ao sair de um demorado banho, colocou os pés úmidos no chão gelado e com a sensação de paz deitou-se. O silêncio daquela casa enorme e vazia era crescente à proporção do universo. Mas o silêncio não era nem metade do que seria preciso pra arrancar aquela rara paz.
Em devaneios por pensamenros sobre sua tumultuada vida, se viu novamente em confronto com o destino. Não sabia lidar com seus problemas, e ainda sim era empático para com os problemas dos outros. Não saber lidar com eles, também, era ainda mais aterrorizante. E percebia que isto não era comum. As pessoas ao seu redor, com suas vidas tão fugazes e vazias, pareciam dotavam de um egoísmo invejável, em sua percepção. Chegava a até mesmo desejar que fosse menos sentimentalmente nobre e trouxesse um pouco deste egoísmo pra si.
Sentia como se não fosse um humano, mas sim uma raça humanoide com a empatia e o bom-senso aguçados, de forma a rejeitar a ideia de "ser humano" e não sentir isto. Via esse egoísmos tão presente em quem vive por perto, que passou a abominá-lo. Sua diferença racial tornava sua vida insuportável, mesmo que tentasse esconder ao máximo.
Sua paz, agora, estranhamente era fruto de ser diferente. Seus pensamentos sempre visando o correto e a boa-vivência das pessoas haviam enaltecido um outro sentimento, também: Amor. Não amor por alguém egoísta e vazio, como todos os humanos. Encontrou alguém tão diferente quanto, e não foi capaz de resistir e sucumbiu à felicidade. Parecia uma ideia assustadora, continuar vivendo fora deste mundo humano, mas o teor desta ideia foi transformado com a adição deste outro ser. O que é mais um dia sendo diferente? Com alguém como este alguém, qualquer jeito de ser, viver, sentir, mesmo que diferente de todos, é encantador, e a consequência disto é compensada.
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