Éter
Discos riscados que não tocam nossa música,
Livro empoeirado, na escuridão ficou.
E a chaleira avisa na cozinha o esquentar,
Do sabor de chá, de quem não acordou.
Distante como a Terra se encontra do sol,
É meu pensamento agora, inundado de paixão.
E o céu noturno faz transparecer,
O meu peito sem você, a eterna escuridão.
São detalhes tão vivos na memória,
Incrustradas, as lembranças, em meu coração estão.
E cada segundo nessa casa me faz lembrar,
De quem não prometeu voltar, quem deixou a solidão.
Constante é a lembrança do que é bom,
Eternizado em meu peito, está teu rosto a sorrir.
E a fragrância memorável ainda está,
Em minhas roupas, as que eu não mais consegui vestir.
Enquanto caminhava pelas ruas, vagamente,
Me deparei com uma cena, muita tristeza e pesar
E ao me aproximar a surpresa apareceu,
Um corpo ali está, sem viver nem respirar.
A curiosidade invadiu a minha mente,
E enquanto questionava, o peito se apertou,
Ao conhecer a triste história daquela alma,
Meu coração se aqueceu, minha mente congelou.
Não fui capaz de tomar a posição do ser,
Que se jogara da sacada, num último suspirar,
E apesar de compreender suas razões pessoais,
Sabia não ser capaz, de da minha vida abandonar.
Então foi quando eu por fim percebi,
Que se continuasse assim, o meu destino ali está,
Pois foi por pura saudade, por puro amor de verdade,
Que a vida evanesceu daquele olhar.
Um sentimento grande que não vai evanescer,
Não vai ser a minha sina, não vai ser meu padecer
Pois pude em meio a guerra interna ainda ver
O anjo que apareceu, o anjo que como eu
Também, e muito, sofreu,
Por alguém que lhe esqueceu.
E este anjo transforma meu ponto final,
Em uma breve vírgula, sendo algo natural.
Aprendi a amar de novo com você,
E não vou te esquecer, já que és tão especial.
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