Frieza



Incontáveis pensamentos atordoavam sua cabeça. Como rajadas de vento provenientes de uma tempestade, sua consciência forte e fria, aos poucos, sucumbia ao caos da realidade. Não conseguia entender como as pessoas ao seu redor chegaram a tal ponto de egoísmo e individualidade. Sequer conseguia acreditar ter o mesmo sangue correndo em suas veias.
Uma mente calculista, sagaz e altruísta via-se acuada diante de tamanha deslealdade. Questionava-se qual seria o valor da vida sem seguir seus próprios princípios. Esta alma tão abalada se recusava a levantar a cabeça para olhar ao redor, pois temia ver que nada mudou.
Aquela tempestade de pensamentos teve fim. Porém, mais assombrosa que o cessar da tempestade foi o silêncio que abrigou-se em sua paranoia. Sem um único pensamento era como sua consciência se encontrava. O desespero era inexorável.
Contorceu-se para a direita, então, e buscou nova posição confortável e com o silêncio avassalador, repousou sua cabeça implorando em silêncio por alguns minutos de sono.
Ao acordar, deu-se conta de que nada é mais desolante que o próprio nada. Seus pensamentos recusavam-se a retornar e até mesmo o desespero já tornara-se irrelevante. A falta de emoções petrificava seu coração e corroía sua alma. Movido pela repetitiva rotina, executava suas tarefas sem interesse algum. Olhava as gotas da chuva pela janela e sentia o frio vir de encontro a sua pobre existência. Seus olhos pesados e cansados embaçavam-se a medida que molhava-se mais. Nem mesmo o frio pôde esboçar uma reação em seu rosto.
Não entendia como podia indagar sua falta de consciência mesmo em tal estado. Não entendia como poderia uma série de acontecimentos impactá-lo de tamanha forma. Não conseguia aceitar o reflexo da sua queda, enquanto agia sem razão ou determinação. Sentiu o golpe da vida, sentiu o peso do mundo, e percebeu que ideologias não mais são postas em prática. Deu-se conta que o mundo sucumbira a idiossincrasia, e deu-se conta que sua forma de viver estava errada ao seu tempo.

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