Futuro


A acinzentada e espessa névoa que cobria meus olhos evanesceu. Posso escutar o rangir da pele velha ao forçar o abrir dos olhos. Vejo a pálida luz da noite pairar sobre minha pobre alma perdida.
O amor selado em meu peito se foi, a razão que eu tinha para sentir alegria foi tragada para o fundo do vale escuro que se formou em minha alma.
Não sei dizer direito como se deu esta inconstância. Já não me encontro convicto do que antes não jamais duvidaria.
A dor de perder alguém que se ama é aguda, pelo que dizem. Eu não sinto dor alguma já faz algum tempo. Seria possível não amar ninguém?
Cortando os céus vermelhos de aura tortuosa do meu coração, abandono tudo que jurei por minha honra proteger pra sempre. Minha honra não vale mais que minha vida. E mesmo se valer, eu não quero honrar o que eu prometi. Quero buscar o novo, o desconhecido. Sei que não amo mais quem eu jurei amar por toda eternidade. Ou talvez ame, mas eu não sinto a dor da ausência. Independente do que de fato se configura dentro do meu peito, o anseio pelas planícies douradas além das fronteiras onde jurei permanecer é incessante. Se vou me perder numa tempestade de saudade ou se vou cortar os caminhos de luz ainda é uma incógnita. Mas não volto atrás.

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