Gota de Esperança



Minha fortaleza se deturpa com o tremor dos exércitos marchando contra estas terras. O som uníssono dos passos em sincronia ecoam por estes corredores vazios da minha alma. A guerra não irá começar, mesmo assim. Eu sei que não posso lutar, eu sei que a derrota é iminente. Não há vergonha em reconhecer o poderio inimigo.
Estive cego aqui. Cercado por meu próprio ego, não fui capaz de ver o que se desenvolvia nas sombras ao leste. A chuva dourada neste amanhecer desse domingo vermelho não será suficiente para lavar o solo do terror que está por vir.
Porém, ouço um aviso, um convidado inesperado. É meu dever, como senhor desta fortaleza, recepcioná-lo.
Como um guerreiro abatido, sem esperanças, deixo-o falar e falar. Poucas são as palavras que de fato me atingem. Estou esgotado. Sei que a guerra chegará, sei que irei sucumbir a este imenso poder da escuridão.
O tremor agora ecoa duplamente. Com meus olhos cansados e pesados me esforço para entender o que está acontecendo.
Este convidado inesperado então ecoa o cumprimento de minhas silenciosas súplicas.
"Nosso povo está a seu serviço."

De mesmo modo, ao fim do verso citado, me deparo com milhares de guerreiros armados, em formação de guerra, se curvando perante a nós.
Este convidado inesperado, cujo qual não dei valor ao primeiro encontro, tampouco pensei em sequer confiar em suas palavras, acabara de devolver a esperança que me fora sugada pelo medo do que se move na escuridão.

Num brado uníssono, ressoando pelos salões escuros e profundos de meu peito, honro, com a ajuda deste hóspede, o meu povo. Não devo e não vou sucumbir ao poder que nasceu nas sombras do leste. Vamos à vitória, ao sopro de felicidade que vem das profundezas dos corações de nossos aldeões. Não iremos desistir.

Confira o precursor espiritual deste texto: Resistência.
Confira o sucessor espiritual deste texto: Suspiro.

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