Plenitude
Abriu seus olhos. Uma leve luz atravessava as falhas da persiana entoando um branco suave em seu quarto.
Levantou-se, abriu sua janela e contemplou o amanhecer na bela Porto Alegre. Pôs-se a sorrir perante a tanta alegria que um novo dia lhe trazia. As paredes brancas refletoras deste quarto resgatavam a comodidade do antigo lar, o chão com um pouco de resquícios da refeição passada era um deleite para sua alma.
Ali era seu lugar, sua alma extasiada se encontrava serena em meio àquelas manhãs de domingo.
Ele sabia. Ele sempre soube. A luz que ele buscava em alguém sempre esteve dentro de si. O que impedia ele de brilhar?
Agora, sozinho em seu apartamento, bebia o café puro e amargo que sempre lhe fora de agrado. O vento fraco que entrava pela janela trazia consigo o suave aroma de paz. Ele larga sua xícara, pega os papéis da mesa, coloca no bolso e se perde nos céus da capital.
"Não leve a mal" - pensava ele - "não é que eu não sinta sua falta. É apenas que eu prefiro viver em paz".
A melancolia de sua imaginação causara turbulência em sua plenitude.
Com um sorriso de canto, ele fechou a janela. Tirou os papéis do bolso e conferiu o horário. Deixando para trás seu tão querido apartamento, ele se dirigiu à rodoviária. Estaria em Mostardas ao fim da tarde, e saudade nenhuma o levaria de volta à quem o fazia estremecer.
Não importa o quão parte de mim seja esta dor, não importa o quão acostumado eu esteja com essa tristeza. Não há nada que eu não possa fazer, não há nada que eu não deva fazer. Não há ninguém que me seja essencial. Não há razões para não buscar sozinho a minha felicidade. Não há motivos para achar que alguém é mais importante do que eu.
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