Vingança
Foscas luzes me garantem que ainda vivo. Respiração pesada, corpo sem tato. Sons de metal se chocando nunca foram tão perturbadores. Com certa dificuldade, consigo abrir meus olhos e perceber que não lembro nem meu próprio nome. As dúvidas são e serão tormentos eternos.
Quando então sinto um pulsar. Algo dentro de mim parece vibrar fortemente. Um ódio sublime começa a ferver o sangue que corre em minhas veias de mesmo modo que meu corpo anseia por liberdade. O som dos metais se quebrando parecem libertar minha alma de um confinamento psicológico. Mas o que de fato fica livre de qualquer corrente é meu corpo.
Munido de nada além de fúria, saio saciar meu desejo de sangue. Não sei onde estou, não sei quem sou, não sei como vim parar aqui. Talvez pela primeira vez em 30 anos eu esteja fazendo o que realmente quero fazer.
O vento calmo e frio aqui de fora abraça minha alma e se faz dominante sobre esse ódio espontâneo. Não entendo e não sei lidar com essa maré de sensações tão fervorosas e opostamente absolutas. O que eu sinto é que a liberdade ainda se faz necessária. Em fúria ou em paz, não posso me privar de viver. Não sinto mais aquela fúria absoluta de agora a pouco, que suprimia qualquer bom senso. Mas um dia, se eu encontrar quem me prendeu aqui, não há pureza ou sensatez no mundo que seja capaz de conter a ira dormente no fundo de meu peito.
Comentários
Postar um comentário